quarta-feira, 26 de março de 2014

Filosofo de Cafe: Ser fiel ao conceito, até que ponto? - 1 Parte

Cafe Racer da Época
Uma das discussões mais recorrentes no meio é a de até que ponto, devemos seguir a risca o conceito original das Cafe Racers: Moto depenada, visual retrô e posição de pilotagem extremamente carregada. Eu tenho discutido muito com amigos que curtem o movimento old school aqui na cidade, sobre o projeto da minha CB (Estou atrás das peças ainda) onde ouço algo mais ou menos assim: 

" - Cara, coloca tanque bolinha, rodas pretas raiadas e descaraterize a sua CB, para parecer uma legitima CR de época. A graça é o pessoal não desconfiar que essa moto é uma CB mexida, mas sim uma moto da época."

Depois, outro amigo, que entre uma Heineken gelada e outra emenda:

"- CR para mim tem que ser de época, com visual clássico, sem acessórios modernos"

Mas dai o de antes fala:

"- Pôxa, mas fica do caralho um suspensão invertida na frente e uns amortecedores a gás atrás"

Enquanto isso outro emenda:

"Tua moto tá original demais pra mexer. Monta ela original, pois falta pouca coisa!"

E por ai o papo segue pela madrugada a dentro. Mas ai fico me perguntando o que de fato vale: Ficar preso ao conceito original ou mandar a "puta que pariu" e fazer a moto do jeito que me é conveniente? Até que ponto podemos transgredir regras? Até que ponto podemos dizer que uma moto é Cafe Racer ou não?
Muito defendem que essa moto não é uma Cafe Racer
E essa?

Eu mesmo volta e meia, por não ter começado meu projeto de fato, me sinto dividido. Pois se por um lado, é legal ter uma moto super exclusiva, semelhante ao que se rodava na década de 60, por outro, até que ponto vale descaracterizar uma moto, removendo a sua aura, sua alma e substituindo por algo que não tem nada a ver com ela. Usarei como exemplo as CB 400 das imagens abaixo, para você entender melhor onde quero chegar:
Acredite, é uma CB 400. Ficou muito bom, não é mesmo?  

Por exemplo, essa CB "Vincent" deve chamar muito a atenção dos leigos em geral, que devem perguntar o ano toda hora, etc e tal... é nisso que meu amigo que fala em descaraterizar se refere. Só sendo "Muito conhecedor" para imagina que é uma Honda 400.
Ou deixamos claro que se trata de uma CB e mantém seu espirito, mas reinterpretado. 

Já nessa ai de cima, fica claro que é uma CB 400, mas com uma reinterpretação agressiva e contemporânea da velha senhora.  E aviso aos navegantes que esse questionamento de seguir ou não o estilo original vai render mais capítulos nas próximas semanas, onde pretendo dissecar o assunto com mais calma. Mas desde já gostaria de ver a opinião do amigo leitor ai embaixo, nos comentários.

11 comentários:

  1. EU costumo pensar em termos de concordância ou harmonia entre as partes. Estou falando do visual, da estética da motocicleta.
    .
    Não tem como eu chegar e falar: não pega nada por amortecedor a gás. Isso não existe!
    .
    Tudo vai depender do conjunto. Questão de harmonia entre as partes. Outra coisa que costumo implicar é com coisas que considero extravagantes. Infelizmente, alguns customizadores adoram extravagâncias. É coisa do sujeito querer inventar muito, ou enfeitar muito. Felizmente entre as cafe isso é bem menos comum e quando aparece quase sempre trata-se de uma releitura feita usando como base uma moto mais moderna ou então fica mais no lance do esquema de pintura. Pinturas muito rebuscadas com desenhos muito carregados etc. Agora, sempre lembrando que é um gosto pessoal...

    Quanto à posição de pilotagem não tem jeito. Eu não aprecio uma dita CR que não tenha guidão abaixo da mesa e posição mais agressiva.

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  2. fala ai DOUGLAS BLZ ? bela materia... eu acho o seguinte ...o principal ao se "fazer " uma moto seja ela cafe bobber ou outra qualquer é vc agradar a vc mesmo ! é claro se vc vai seguir um estilo , certos parametros vvc deve seguir , pelo menos o minimo... no caso das cafes eu acho que o que define uma cafe , é a rabeta e guidom se vc colocar uma rabeta ou banco no estilo e um guidom baixo , clubman , ou clip on , ja era , ta cafeinada ... de resto vai do gosto de cada um... se vai usar peças modernas , visual classico e etc... os 2 tem seu valor ! sobre manter a moto original por que é mais rara e etc, por vai acabar com a alma da moto e tal eu não concordo ! repito essa é apenas minha humilde opinião ! ! ! MOTO ORIGINAL , seja qual for antiga ou nova , não tem alma , é so um monte de ferro parafusos e plastico que alguem montou em produção em série ! ! ! ! ja as personalizadas eu acredito que levam um pedaço da alma de quem as fez ! passa a diquirir um pouco de sua personalidade ... vou dar um exemplo para ilustrar eu vendi uma bandit ja deve ter uns 6 ou 7 anos que eu personalizei e usei ela durante um bom tempo , depois disso ela ja passou na mão de uns 5 caras diferentes , e ate hj quando ela passa na rua eu escuto "ali a moto do Guilherme "rsrsrsr
    resumindo , se vc gosta de cafe racer faz ela cafe racer , escolhe uma que vc ache possivel fazer pra servir de guia e de seus toques pessoais , não se prenda a regras ! regras não tem a ver com motos ! essa é minha opinião espero ter comtribuido !
    Guilherme Martins

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  3. Escrevi pra caramba e apertei em num sei o que aqui e apagou tudo... Vamos lá de novo...

    Eu estou em um dilema também, mas acho que vou esperar os próximos posts pra saber se surge algo mais parecido com o meu pensamento.

    Tem muita gente radical por aí, não tem nada contra, cada um deve fazer o que bem entende (eu mesmo sou radical em algumas coisas e odeio quando alguem fica questionando meus motivos).
    Vou dar um exemplo pessoal que nem é relacionado com motos, sou guitarrista e o som que gosto é o de instrumentos da decada de 50 e 60, eu sou bem xiita em relação a isso, todas as minhas guitarras tem especificações dessa época (até no tipo de tinta usada), pois no mundo da musica, especialmente dos equipamentos relacionados a guitarra, essa "onda retrô" já existe a muito tempo.
    Não tenho absolutamente nada contra quem pensa assim quando o assunto é Café Racer, até porque acho lindas as motos antigas, mas, se é pra ser Cafe Racer, Street Tracker, Bobber, Scrambler ou alguma outra coisa personalizada, não pode ser original. Uma coisa é querer ter uma Café Racer, outra é querer ter uma moto antiga toda original (também não tenho nada contra isso).
    Eu peguei a CB pensando apenas em fazer uma Café Racer, peguei desenho favorecer um pouco o estilo, preço e pela relativa facilidade de encontrar peças.

    Bom, vou falar logo do meu dilema pra não ficar com misterio
    Não tenho interesse nenhum em deixar a CB original, porém, estou meio em duvida por ela ser minha unica moto e eu queria fazer mudanças trouxessem um ganho de performance e isso tem um custo que eu não sei se estou disposto a arcar.
    Por quê? Com o que eu gastaria pra melhorar um pouco os aspectos deficientes da 500, eu poderia pegar uma moto maior e bem mais potente. Não vou mentir, não curto ficar pra trás. Por isso hoje eu postei aquele lance da TL1000 lá no grupo do face. Eu estou seriamente tentado a me organizar de forma que eu possa partir pra algo assim. Posso até fazer algo reversivel (mais ou menos como o Guilherme fez muito bem na CB dele) enquanto não po$$o dar esse passo, mas, a verdade é quero algo mais nervoso.

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  4. Sou a favor da evolução das CR. Mantendo as características básicas, que seriam, guidão baixo, rabeta, e alivio de peso, o que vier a favor da performance da máquina seria válido.
    Imagina se, na década de 60, tivessem surgido a suspensão invertida, freio a disco e suspensão a gás. Acredito que estaria tudo registrado nas nossas fotos antigas.

    Na minha opinião, o que deve definir uma CR é apenas o visual, seja uma CG bolinha ou uma Thruxton. E não o preço da transformação.

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  5. Para mim, o freio não é questão se a moto está muito original, ou o que deveria ou não caracterizar uma Cafe Racer, mas sim o que é permitido pelas nossas lei retrógradas.
    Adoro o estilo e o mesmo é uma grande influência, mas não abrirei mão de várias coisas.

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  6. É difícil, mas vamos lá, Café Racer é uma moto de linha, aliviada de peso, sem laterais e filtros de ar, com posição de pilotagem de competição... Pois bem esta descrição serve tanto para uma Norton 500 1957 como para uma Honda Hornet 600 2014 (claro que após a cafenização), estou fazendo isso com uma CB400 1983, moto que eu nunca gostei (quando foi lançada eu já tinha uma Yamaha SR500), logo nunca tive aquele desejo (quase sonho) de sair da cg bolinha para ir para o Cebolão... Particularmente sempre achei ela horrorosa, os gigantes tanque e o banco deveriam ser de uma moto de mais de 1000cc, as rodas de alumínio também são feias e ruins (é difícil ver uma cb velha com as rodas boas, estão sempre empenadas por causa das nossas ruas esburacadas), como a grana não tá fácil para ninguém, fica difícil comprar uma Boneville ou Royal Enfield, por 30.000 dilmas e meter a lixadeira na traseira... Mas a CB de 2 conto dá pra fazer isso sem dó, ainda mais que o que se tira são justamente as coisas que considero feias (tanque, banco, rodas de liga e todos os plásticos nojentos...). Resumindo quero que a minha CB fique com a cara de uma CR do fim dos anos 50 inicio dos 60. Um abraço do Speedy.

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  7. Na MINHA humilde OPINIÃO, todo tipo de moto têm seu valor, apesar de particularmente não gostar de customizações muito espalhafatosas (mas admito que se o dono curtiu, está bem feita, também têm o seu valor). Tanto uma moto antiga restaurada como se fosse nova, quanto uma modificação em maior grau e que a torne uma CR,Bobber,Chopper, seja lá o que for. O que sempre nos deixa muito em dúvida em relação à customização é exatamente o que vc pensa mesmo, Douglas: gasto uma alta grana e tenho uma moto só minha, ou pego essa grana toda e compro uma supermáquina? Sinceramente, meu amigo, essa dúvida somente vc pode responder para si mesmo. Uma customização é uma obra de arte. É uma coisa incrível ver a moto de um jeito e depois ela totalmente mudada do jeito que você quer. Com ela o sentimento de realização pessoal de executar um projeto só seu é muito grande, mas não adianta querer usá-la para acompanhar moto esportiva, né? kkkkkkkk Em suma, como tudo na vida, cada uma das situações têm seu prós e contras e a pessoa e que têm que pensar para si o que importa!

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  8. A minha aposta, e torcida, é que a moto do Douglas vai ficar parecida com a CB da última foto.
    Uma verdadeira CR, bonita e sem esconder que é uma CB. E se sobrar uma grana, com uma melhorada nos freios e suspa.
    ... pra ficar mais "pilotável".

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    1. Eu acho que meu projeto vai ser mais uma BratStyle do que uma CR pura. Mas você acertou mesmo o que ando pensando...

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  9. Eu estou montando uma cafe racer / bratstyle na garagem aqui em Curitiba. Com ajuda de um mecânico que trabalhou nos anos 80 na honda que sabe o que faz com o motor da cb 400 e também meu pai que é pintor automotivo que está dando um trato á mais na motoca. Estou economizando metendo a mão na massa, isso que eu acho interessante para se poder gastar menos e ter uma bonita moto. Na verdade eu defendo motos originais com direito a placa preta, mais vamos e convenhamos a CB 400/450 são feias pra diacho originais, haha. Enfim, voltando ao assunto, eu penso que cada um tem uma maneira de pensar e o movimento CR original nem passou perto do Brasil, quem realmente tem esse espirito são os loucos de cg por ai, que põe um kit 190cc e pilota deitado em cima do banco trocando a marcha com a mão. O que temos aqui são caras com vontade e paixão pelo estilo. Dúvido que um funkeiro ou um sertana queira montar uma bela CR. Eu acho que muitas influencias chegam até a Moto, independente do estilo. Eu não sou fã de chooper e desse pessoal coxinha de Harley que falta só carimbar a bunda da esposa com a logo HD para lamber. Eu acredito no que faço, ouço meu bom e velho led zeppelin com também los hermanos tomando minha bera e sonhando com a moto pronta. Logico tem pessoas boas que curtem suas HD e sabem aproveitar a estrada e não são coxinhas. Só acho chato esse pessoal que anda em bando e não respeita ninguém, os famosos americanizados, assim com tem uma galera muito bacana que eu gostaria de andar junto! Este mundo é louco e temos que seguir o que almejamos, pois só assim se faz algo com bom gosto! Eu quero torrar minha grana sim que ganho trabalhando modificando motos! Minha próxima sera uma cbx 750 puro sangue que vou pirar a cabeça e usar itens modernos mais com o toque retro! Se quiserem me criticar podem ficar a vontade, o mundo só cresce assim!

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  10. Independente do gosto de cada um, um verdadeiro racer sempre busca o melhor pra si e sua motocicleta, um exemplo disso e o surgimento da triton que une a melhor ciclística com a melhor mecânica, sempre em busca daquele algo a mais para a motocicleta, independente da marca e modelo, da época e etc. O que eu acho e, que e um pegado e pegar uma cb e fazer dela uma chopper, não tem nada a ver com a motocicleta, agora transformá-la em uma cafe-racer e algo bem a parte, pois não sacrifica o espirito da motocicleta, o que temos hoje e bem diferente do que existia na década de 50 e 60 as coisas melhoraram muito, e aproveitar isso nas motocicletas e bem original. Ou vc acha que se na época existisse um amortecedor a gás ou uma suspensão invertida, algum racer não ia aproveitar?

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