quarta-feira, 23 de abril de 2014

Filosofo de Cafe: Ser fiel ao conceito, até que ponto? - 2ª Parte

Há algumas semanas, iniciei um questionamento em até que ponto devemos nos prender ao conceito e visual original das antigas Cafe Racers do Ace Cafe, ou se deveríamos mandar tudo as favas e fazer motos como nos desse "na telha". Confesso que tinha uma opinião, mas os comentários feitos pelos leitores foram enriquecedores.

A minha postura é: Sim, são válidas reinterpretações. Mas é necessário discernir algumas coisas.  Por exemplo, se fossemos puristas ao extremo, só poderíamos ter Cafe Racers com motos Inglesas da época ou no máximo com as recém recriações da Triumph Bonneville ou da Royal Enfiled Continental GT. Isso limitaria muito as coisas. E também há o contexto histórico: outras motos que chamamos hoje de Cafe Racer, mas na verdade não as são "as legitimas". Veja as imagens abaixo que usei para exemplificar.
Essa é uma personalização que muitos diriam: Cafe Racer. Mas na verdade esse esquema era o que o pessoal fazia nos anos 70 já. O conceito tem muito a ver com o Cafe Racer, mas a turma era outra já e não se limitava mais as ruas de Londres. No Brasil mesmo tínhamos coisas nesse sentido.
Foto retirada do excelente Motos Clássicas 70
E também tínhamos as motos de pista, e dessa linhagem temos muitas réplicas ou motos inspiradas nelas, e que o pessoal chama de Cafe Racer.
TZ 750 do anos 70. 
RD 350 do inicio dos anos 80 personalizada
RD 350 dos anos 70 personalizada e que chamamos de Cafe Racer. Mas na Inglaterra do anos 60, não tinha RD.
Notou? Existe muita moto que é chamada Cafe Racer, mas na verdade bebe de outras fontes. Mas na minha opinião, a coisa cresceu muito e seria besteira limitar o termo Cafe Racer as inglesas dos anos 60 apenas, apesar de serem as legitimas percussoras do estilo. O meu amigo do Cafe Racer Brasil, Jorge Inovisk matou a xarada ao dizer algo mais ou menos assim: Se nas choppers existem os movimentos Old School e New School,  por que nas Cafe Racers teria que ser diferente? 
Essa bela Ninjinha não poderia ser chamada de Cafe se formos puristas ao extremo. Muitos a chamariam de Streetfigther, mas na minha visão ela segue os conceitos clássicos, mesmo que tenha um monoshock. Para mim, para se considerar uma Cafe Racer, a moto tem que ter: um visual limpo e que beire o minimalismo; que se suprima o desnecessário; que o posicionamento seja mais "racing" que o normal e que tenha linhas que façam referência ao estilo (De preferência que o tanque a rabeta sejam em linha reta e que tenha uma pegada mais retrô). Obviamente que ai entra um pouco de subjetividade e sempre vai ter uma turma que acha que a moto ai em cima é ou que não é Cafe Racer, mas as linhas gerais em, que acredito estão ai. E você o que acha disso tudo? Na ultima postagem sobre ser fiel ao conceito, pretendo entrar mais nessa questão estética e falar mais sobre os diversos estilos. Mas até lá, gostaria de saber qual é a sua opinião sobre o assunto?

8 comentários:

  1. Primeiramente parabéns pelo blog,
    Na minha opinião, as fotos acima todas são Café.... afinal em conversas aqui com a galera sempre comparo que existem vários tipos de café... expresso, dolce gusto, italiano, do sitio, coador de papel, coador de pano, coador de meia.... então nada mais justo não importar com a quantidade de tecnologia embarcada na moto, importa sim se com as alterações a moto serão de bom gosto. e que lembrem as motocas de 160km/h de antigamente.

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  2. Achei boa a idéia de diferenciar as CR como (old school) e (new school), isso dá margem pra várias opções de projeto, desde que se mantenha algumas coisas básicas. Como , por exemplo, o guidão baixo, a rabeta e o alívio de peso.

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  3. Essa divisão de "old" e "new" poder resolver um monte de discuções, inclusive naquele programa da Discovery Turbo - Café Racer, faz essa dvisão em suas matérias, mas "sem dar nome aos bois", o que percebemos é que os customizadores europeus, seguem a linha "Old" até porque eles tem mais materias "antiquado", Thriumph, BMW, Norton e etc..., já os customizadores americanos "new" modernizam mais, principalmente as japonesas, inclusive no 3 episódio um customizador de carros famoso fez uma "café" de uma sete galo 69, que eu particularmente não gostei, com monochoque, bengalas invertidas e rodas de liga leve, particularmente prefiro a cafeinada anos setenta com tomaseli e banco rabeta e rodas raidas, me parece que foi a evolução natural da geração anteriror dos anos 60. Outro ponto interessante são fotos e videos do Ace Café nos dias atuais, você vê as "Old" e as "Café de fábrica", misturadas com esportivas modernas sem nenhuma customização, ou seja, ou você tem estilo "Café" ou se voce quer esportividade ao extremo compre uma esportiva...

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  4. Se não tem visual de "moto antiga", pra mim, não é cafe racer. Simples assim: Vintage Sport!
    .
    " - Ah, mas a posição de pilotagem, o guidão o peso aliviado..."
    " - Não importa. Se não tem um bom visual antigo, pra mim não é Cafe Racer!"
    .
    " - Ah mas essa outra moto tá com amortecedor a gás, e upside-down e isso e aquilo"
    " - Sim, mas o tanque é estilo antigo, a rabeta também. As rodas são antiquadas. Então é CR e pronto acabou!"
    .
    Existem certas coisas que dá prá aceitar numa boa, outras não. Se vale qualquer coisa, logo tudo se desvirtua.

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  5. Eu acho que você tem razão Rodrigo. Talvez o estilo "café racer" seja uma coisa que deva ser preservada de uma maneira bem restrita. Até pra servir sempre como um "gabarito".

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  6. E por ai surge os movimentos da nossa época, os movimentos híbridos como o Bratstyle. Entre um estilo e outro, talvez como um capucino, clássico como as cafe racer e simples como as boobers.

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  7. Acredito q assim como em varios outros estilos existem a old school e a new school...isso é normal...e muito legal ver um CR totalmente original, anos 60 e coisa e tal, porém devido a dificuldade em se encontrar motos e peças antigas e tb mão de obra qualificada em personalização acredito que é aceitavel sim um CR com carinha de moderna, desde que os princinpios do motociclismo como companheirismo e liberdade e nesse caso mas especifico de "rebeldia" sejam mantidos, pra mim sem novidade! Tito Freitas

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  8. Na minha opinião, pode sim ser feito uma café com peças ou motos novas, desde que elas sigam um visual retrô, com uma cara mais antiga, Agora essas supostas cafés modernas com a rabeta apontando pro céu e tanque todo desenhado cheio de designer no estilo agressivo, não me convencem. Não consigo ver uma CR nessa última imagem.

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