sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Cafe Racer Brasil andou na nova Ducati Scrambler - Por Guilhes Damian

Conheça um pouco da história das motocicletas chamadas scramblers, a nova e moderna scrambler da Ducati e tudo o que é possível fazer com ela para um projeto de customização super bacana. 

A Ducati em referência a uma estratégia de marketing recente, gentilmente cedeu uma Scrambler Enduro para o CAFE RACER BRASIL testar a motocicleta e dar suas impressões. Ficamos com a moto por cinco dias e colocamos ela no trânsito pesado de São Paulo e também na estrada. Agora, contamos aqui pra você um pouco da moto, a história das scramblers e, claro, algumas modificações bem interessantes utilizando a motocicleta como base.
Ducati Scrambler Classic
A nova Scrambler é mais uma das motos a entrarem em uma tendência recente, a de revisitar alguns clássicos do passado e a Ducati não foge à regra. A referência é a Ducati Scrambler comercializada nos anos 60 e 70 com motor monocilíndrico.
A inspiração do passado: as primeiras Ducati Scrambler
O termo Scrambler não é exclusividade da Ducati. Nasceu nos anos 50 para referir-se as motos de trilha e enduro até porque, naquele tempo não tão distante, motocicleta não tinha todas as subdivisões e categorias que conhecemos hoje. Os motociclistas modificavam as motos como podiam para que a motocicleta se comportasse melhor em algum tipo específico de terreno ou situação. No caso da adaptação para o off-road (leve ou mais pesado) o mais comum era colocar pneus de uso misto ou mesmo com cravos para o barro, escapamento mais alto e guidão largo com aquela indefectível barra cuja função era justamente evitar que o guidão entortasse com as frequentes quedas da galera que curtia uma poeira e barro entre os dentes.
O amarelo dos modelos antigos (foto) voltou e está presente na nova Scrambler no modelo Icon, o mais básico
A nova amarelinha: Ducati Scrambler Icon
Talvez a nossa primeira grande representante aqui no Brasil, e a primeira “scrambler” que, naquele tempo o termo para nós talvez soasse como palavrão, era a Yamahinha TT 125. As motocas preparadas, além de levantar poeira, subiam e desciam morros e daí veio o termo, derivado da expressão “to scramble” que faz referência a prática de subir morros (a pé) utilizando os pés e as mãos rapidamente, tipo um cão. Algo como sair “catando cavaco” só que de forma controlada e sem cair. Tá aí uma sugestão pra concorrente que decidir lançar uma moto semelhante no segmento… Já que o termo scrambler já foi adotado, pode esperar por exemplo, a nova Yamaha Cata Cavaco. Ok, a sugestão foi péssima, mas é legítima... Não demorou para, nos anos 60, as “scramblers” saírem de fábrica já “preparadas” como o caso da Triumph Scrambler, por exemplo.
Scrambler de fábrica da Triumph nos anos 70.
Pois eis que a Ducati resolveu trazer o estilo de volta em cinco modelos diferentes que são, na essência, a mesma moto, com algumas pequenas diferenças. No nosso caso, levamos a Scrambler Urban Enduro para passear, a única com para-lama dianteiro alto e uma gradezinha no farol para proteger a lente das pedradas da natureza.
Ducati Scrambler Enduro, o modelo testado pelo CAFE RACER BRASIL
Todos os modelos tem uma infinidade de acessórios de fábrica que você pode “customizar” antes de comprar. São escapamentos diferentes, piscas de led, para-brisas, protetor de motor, bolsas, guidões, number plates, retrovisores, bancos e mais um monte de coisas. A brincadeira de lego sai cara. O modelo básico, a Scrambler Icon, na faixa de 39.000 reais, com um banho de acessórios de fábrica pode chegar facilmente aos 70.000 reais. (Nota do editor: Escapes termignoni... tome aqui todo meu dinheiro...)
Brincando de lego: zilhões de opções de acessórios que podem levar o preço da moto as alturas  -  
Aliás, me parece que a Icon, amarelinha típica em alusão ao modelo dos anos 60, não agradou muito o brasileiro. Temos visto muita gente passando a lixa e pintando a motoca de preto (e fica linda). O visual da Scrambler remete mais ou menos a um visual retrô mas a moto é recheada de tecnologia e modernidade e, portanto, não se deixe enganar, é uma moto super moderna e preparada para os dias de hoje, inclusive o ABS é item de fábrica, com a opção de ser desligado se você quer andar “com emoção”. 
Guilhes avaliando a motoca
A moto não é inimiga dos baixinhos mas se você tem um problema realmente sério de estatura, no pacote de acessórios você pode encontrar inclusive um banco mais baixo para não passar vergonha nos semáforos. O guidão, do modelo enduro, é alto e bem aberto. Mas aí é questão de gosto e costume. Estou acostumado a andar em motos com guidão bem mais baixo e posição à frente. Me peguei várias vezes procurando os comandos no ar, abaixo do lugar onde eles estavam e também sendo empurrado volta e meia para a frente, próximo ao tanque… quem viu deve ter achado que eu era algum tipo de maluco. Mas… a posição de pilotagem é muito confortável e as suspensões cumprem muito bem seu papel nas ruas em estado lastimável da cidade de São Paulo.
Wel Calandria, membro do CAFE RACER BRASIL e chefão do Classic Riders Brasil tomando um ar.
O motor é o mesmo da Ducati Monster 796, amansado para entrega mais linear de força, com 803cc, o característico comando desmodrômico e configuração de dois cilindros em L à 90 graus. São 75 cavalos empurrando 186 quilos.
A Monster 796 emprestou seu motor para a Scrambler.
(foto: revista cicleworld)

Com tudo isso, a moto tem vocação pra diversão. É leve, potente e bastante ágil. Mesmo em baixa rotação e em marchas mais altas, basta acelerar que ela responde prontamente com um belo torque. Perfeito para cidade e retomadas na estrada. Alguns até a acham um pouco arisca em função de sua resposta sempre rápida e pelo fato da moto estar sempre “à mão”. O guidão da maioria dos modelos é alto e passa por cima da maioria dos retrovisores dos cidadãos da metrópole. Mas como o paulistano tem uma mania incompreensível cada vez mais comum de amar e venerar os trambolhos chamados SUVs, a coisa fica mais difícil. Os espelhos miram o tempo inteiro nos espelhos dos carrões que não fazem o mínimo sentido em uma cidade com o trânsito ruim que têm.
Quando o trânsito fica realmente cheio e travado começa um pequeno desconforto. O cabeçote traseiro fica muito, muito próximo das pernas do piloto e como a refrigeração é a ar, você vai começar a sentir um cheirinho de churrasco. Mentira, não vai. Mas prepare-se para enfrentar uma menopausa e um calorão nas pernas nos dias quentes ou em trânsito muito travado. De qualquer maneira, assim que se acha uma brecha entre os SUVs malditos e dá pra dar uma esticada, o calor some. O consumo é compatível com uma moto do porte e proposta da Scrambler e vai depender muito do seu jeito de pilotar. Se você é um daquele chatos que gosta de ficar fazendo barulho e acelerando sem necessidade o tempo inteiro, vai ter de gastar mais com combustível. O consumo fica, de acordo com a tocada, entre 13 e 20 quilômetros por litro. Na estrada a moto é tão ágil quanto na cidade, o fato de ter a moto à mão o tempo inteiro passa bastante segurança, assim como as retomadas vigorosas mesmo em baixa rotação. O único desconforto será o vento te empurrando pra trás mas isso também se resolve com acessórios de fábrica como um para-brisa disponível entre os acessórios de customização no site. 
No geral, a moto cumpre o que promete e tem mais pontos positivos que se pode imaginar. Para o mercado brasileiro, o preço é elevado. A média de preço é de 40.000. A estratégia de marketing da Ducati, ao menos lá fora, é conquistar o público jovem. Tanto o é que em todo material promocional você vai ver uma “garotada” (maiores de idade, claro) toda moderna e colorida com os dentes branquinhos posando ao lado da moto com skates, pranchas de surfe e capacetes também igualmente multicoloridos. 
Perfil de cliente que todas as fabricantes querem - inclusive a Harley Davidson
Bom… o jovem por aqui, em sua maioria, é um pobre diabo que não pode se dar ao luxo de colocar essa pequena fortuna em uma motocicleta, caso contrário vai passar fome por uns 5 anos ou mais. Nesse caso, me parece que a motocicleta vai pegar um público, por aqui, na faixa dos “jovens” bem-sucedidos dos 35 pra cima ou mesmo a rapaziada acima dos 40 que quer um produto exclusivo. Até por que a Scrambler, até agora no Brasil é única em sua categoria e não tem exatamente nenhuma concorrente direta. Não conte pra ninguém mas… vi muito proprietário de Triumph Bonneville (uma concorrente, vamos dizer, indireta) achando a Ducati muito mais segura, valente, confortável, divertida e à mão. 
Mas falando de exclusividade, num primeiro momento, pode parecer uma moto difícil de customizar mas basta um pouco de talento e bom gosto e já podemos ver mundo afora projetos de customização muito, muito interessantes utilizando a Scrambler como base. Ali embaixo selecionamos alguns pra você ver como a moto pode ficar incrível. A história é essa, se você quer uma motocicleta exclusiva para customizar na revenda ou mesmo por conta, prepara-se para desembolsar uma boa grana mas também prepare-se para rodar em uma moto com vocação pura para qual as motos foram inventadas: diversão. Confira alguns projetos bem legais utilizando a nova Ducati Scrambler como base:
Para ver mais fotos dos projetos acima e saber detalhes de cada uma, dê uma olhada aqui.


Aviso aos navegantes: Em parceria com o Grupo do Facebook, Cafe Racer Brasil, hoje estreia mais uma nova seção aqui no Garagem: De tempos em tempos, teremos conteúdo exclusivo gerado pelo pessoal  e que já de cara trazem uma matéria de cair o queixo, como você pode ler. Para esse teste, a Ducati Scrambler, que foi gentilmente cedida pela Ducati do Brasil por 5 dias para ser testada pelo Guilhes Damian e clicada pelo mestre Wel Calandria, do Classic Riders Brasil

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