sábado, 29 de abril de 2017

Opinião: O que esperar das Royal Enfield

Royal Enfield: Uma moto muito especifica para um publico muito especifico.
Há tempos comentei especificamente da Royal Enfield (R.E) Continental GT, mas que no fim das contas acabou praticamente nem aparecendo por aqui. Mas hoje vivemos tempos mais felizes (em termos de motos) e a Royal Enfield desembarcou no Brasil de forma oficial. Então o que esperar? É o que vou tentar comentar nos próximos parágrafos.
Royal Enfield: Lindas e polêmicas.
Fazia tempo que um lançamento não dividia tantas opiniões. Para uns, basta a beleza das motos, estas que preenchem uma importante lacuna no mercado: Motos com pegada realmente retrô, mas numa faixa de preço um pouco menor que as excelentes Triumph Bonneville e Ducati Scrambler. Lá fora estas são motos consideradas para iniciantes e de uso diário, mas no Brasil o custo das Triumph e Ducati acabam limitando um pouco o acesso ao grande público. É tão verdade que por aqui oficinas como a Bendita Macchina faturam bem vendendo motos pequenas customizadas com pegada retrô.
Já para os que não curtem as Royal, fatores como a baixa potência, o fato de ser monocilíndricas (e das vibrações que veem junto no pacote) e relatos de baixa qualidade no acabamento das motos fazem alguns torcer o nariz para a moto. E aí, o que é verdade nisso tudo?
McDonald's ou X-Carne?
Aqui em casa volta e meia rola essa discussão: Minha esposa ama McDonald's enquanto eu meio que acho mac bem meia boca no geral. Prefiro mil vezes um bom X-carne gaúcho. O fato é que a discussão de qual vai ser o jantar nunca vai acabar, da mesma forma que a discussão sobre a Royal: Podem falar que é manca, que vai tomar pau de CG 150 mexida, que com essa grana compra-se uma R3. Mas quem quer uma moto dessas, provavelmente vai estar se lixando para todos esses fatores técnicos. 
Maquina do tempo:
Na matéria que escrevi há alguns anos, usei esse termo, maquina do tempo. E de fato, apesar da injeção eletrônica e ABS, essas motos tem muito ainda do que era feito há mais de 50 anos. Obviamente, hoje em termos de tecnologia, temos motos bem mais avançadas, como as 300 cc 4T, batendo pra lá dos 40cv. Mas para os amantes das clássicas, a graça é ver as R3, Ninjinhas e CB 500 , que por melhores que e bem mais rápidas que sejam, irem ao encontro do esquecimento ao passo que uma Royal Enfield provavelmente vai ser uma moto cada vez mais foda com o passar do tempo. A moto já nasce uma clássica.
Idosa precoce ou coroa recauchutada?
O fato de nascer uma clássica, nesse caso trouxe também as caracteristicas (os defeitos ) de uma clássica. O que não chega a ser ruim, falando subjetivamente. Explico. Existem motos dinamicamente maravilhosas, como por exemplo a Yamaha XJ6. A moto anda bem, é confortável, super estável e numa volta, parece que a moto é sua há anos. Por ser tão perfeita, chega a ser chata, entediante, pois precisamos ser ases do guidão para chegar próximos de seus limites. Eu posso ser um maluco (uso um fusca como carro do dia a dia) mas gosto muito da experiência mais "mecânica"que maquinas com proposta antigas proporcionam. Acredito que haja mais gente como eu, que curta a característica mais roots do que uma moto supermoderna daquelas que nunca vamos atingir os seus limites.
A essência é a mesma.
Na minha visão, a Royal EM TESE trás o melhor dos dois mundos: Tem pegada retrô, mas sem os inconvenientes de uma moto antiga: prolemas mecânicos e o receio de se explorar a maquina ao máximo. Esses fatores são os que fazem muitos amantes das clássicas largarem de mão da brincadeira. E por mais que a Royal Lembre uma clássica, ela ainda é uma moto zero km, e que quem comprar uma, vai querer usa-lá. Caso a moto dê problemas, um bom pós-venda é necessário.
Pós-Venda é tudo! 
Pelo que pudemos ler na apresentação da moto, a operação aposta num conceito de grife, onde mais que uma loja de motos, a concessionária é um local onde aficionados pela marca se encontram (e serão fortemente tentados a gastar em belos acessórios, vestuários.... ). É o conceito de grife, onde se vivencia a experiência da marca (o tal do #motopurismo no caso da Royal Enfield). Caso a moto venha dar um ou outro probleminha é até benéfico": Um bom pretexto pra tomar uma cervejinha com os amigos que tem Royal e imergir no mundo Royal Enfield. Mas isso só vale se o atendimento for bom e o pós-venda e a disponibilidade de peças forem bacanas. (de preferência com preços pagáveis). Ir a oficina para espichar a transmissão, trocar óleo e alguma coisinha até é legal. Agora ir para concessionária para resolver problemas recorrentes e não ter um atendimento a contento pode por tudo água a baixo. Especialmente em São Paulo, "onde todo mundo se conhece".
Operação da Royal Enfield no Bra... em São Paulo.

O fato que esse modelo de negócio da Royal Enfield, é sustentável em poucas cidades no Brasil, infelizmente. São Paulo é um oásis da Kustom Kulture no Brasil, sendo que se vendem em bom número motos 125 customizadas quase pelo mesmo preço da versão Bullet. Aliás, esse mercado com a chegada da Royal pode dar uma bela estremecida. Os customizadores provavelmente terão que rever algumas das suas estratégias de negócio, caso a Royal faça o dever de casa certinho. Mas o fato é que a maioria dos amantes das Cafe Racers e clássicas que vivem longe dos grandes centros dificilmente vão ter a oportunidade de ver uma dessas ao vivo. Ao menos em curto e médio prazo.
Falando em Kustom Kulture...
As Royal Enfield são motos extremamente customizáveis, e mesmo que o proprietário decida mexer a motoca, dificilmente vá ter problemas em relação a fiscalização, pois na prática ninguém conhece a moto a fundo. E o Guilhes Damian mostrou que dá pra fazer muita coisa legal.  Nesse ponto, a motoca é uma tentação. Em breve alguém vai acabar picando uma e saberemos mais sobre a suas entranhas e como mexer ali.
Até a Bullet, que é a menos interessante, com pequenas modificações muda de cara
Motos tentadoras.
Talvez tudo possa dar errado. As motos podem dar problemas para caramba, o representante pode vir a pisar na bola (acredito que não, pois é gente experiente na área da motos que está tocando a operação). Mas o fato é que ao se olhar a moto, ela  é extremamente sexy. E quem rodou, gostou da moto (Não é mesmo Reginaldo?). Ou seja, é uma moto para se sonhar, sem sombra de dúvida. O preço, muitos julgam altos, mas eu considero justo. Pensando que uma CG 160 hoje custa perto de 10 mil. E no mercado de São Paulo, onde é uma cidade "onde gira grana", pagar entre a R$ 18.900,00 a R$ 23.000.00 é algo comum. Por exemplo, pagam mais do que isso em motos 250 cc customizadas. E a ideia de que ela é uma moto a moda antiga, feita a moda antiga (os caras pintam as faixas do tanque a mão!!!) me faz perdoar os pequenos defeitos de acabamento (quem tem visto a moto tem relatado isso).  Principalmente por que eu customizaria ela certo...
O Guigo do Canal Motorama: Estatura próxima a minha.  A moto fica no limite em termos de espaço
Se eu teria uma Royal?
Só posso dizer isso no dia em que colocar minhas mãos em uma! Hoje considero para mim, a Street Twin a moto ideal: Tamanho bom, potencia suficiente (Sou um racer de araque), econômica( !!!!) e linda. Porém, AINDA não pretendo gastar quase R$ 40 mil numa moto (R$ 41 mil na versão Street Cup). A Royal é uma opção interessante, pois custa praticamente a metade do preço. Se eu me sentisse a vontade no lombo de uma GT (como sou alto e pesado), e tendo um revendedor em Porto Alegre pelo menos, eu consideraria seriamente a possibilidade de ter uma.
O Guigo na GT. Até que a moto não some. Mas são motos ideais para gente de estatura mediana.
O veredito
O veredito não poderia ser melhor, levando em consideração tudo que escrevi aí em cima: Em um mercado que até poucos anos só tinha como opção customizar CB 400, a Royal é uma ótima presença! Que venham muito delas, bem como as Triumph, Ducati e quem sabe um dia as marcas "japas"decidam entrar no nicho e acirrar a disputa. Se o representante tocar a operação de forma séria e competente (sanando algum pequeno problema que possa aparecer), a expectativa é a melhor possível. Eu sinceramente torço demais pela marca!

2 comentários:

  1. Ótimo texto! Moro em São Paulo e penso em adquirir uma Bullet. É que eu gostaria de usar a moto no dia a dia mesmo e, aparentemente, ela seria a mais confortável. O que me atrai, além do visual retrô que adoro, é o torque. Acho isso fundamental pra andar na cidade. No entanto eu não ouvi ninguém dizer que são motos pra botar na rua todo dia. Será que estou viajando?

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  2. Cara, se vc jogar a pergunta na internet, de uma forma geral, vão dizer que moto boa pra andar em SP é cg pq gasta pouco, é estreita, é barata etc.
    Eu andava de caloi 10 em SP todo dia. Os freios eram ruins, era desconfortável e tinha que ficar muito esperto com os buracos. Mas eu me sentia o máximo haha! E isso pra mim tinha mais valor que os inconvenientes dela.
    Eu penso que se a ideia de algo te agrada, se vc quer viver aquilo, vai fundo. Sem ficar fazendo concessões nem ficar se perguntando se ela é ideal para uma coisa ou outra. Lembro de ter visto a história de dois americanos que foram pra Florianópolis, compraram duas TDM 225cc, gostaram tanto delas que voltaram pros EUA guiando. Agora, imagina atravessar o continente em cima dessas motinhas.. Longe do ideal!
    O negócio é curtir. A vida, até onde a gente sabe, só tem essa mesmo.

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